• Allan Kardec Online

Manuscritos inéditos da evocação do Sr. Didier para falar sobre mudança de endereço

Nos manuscritos das comunicações recebidas pelo médium Sr. Desliens, consta também a letra de Allan Kardec

O diálogo trata sobre a saída da Passagem Saint-Anne e a criação da livraria e editora


Sabemos que durante o período em que Allan Kardec esteve encarnado, ele utilizou-se de vários Editores e Livreiros para a publicação das obras da codificação. O trabalho de pesquisa realizado pelo CSI do Espiritismo nos ajudou bastante com isso - https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/593783721385414.(2)


O destaque é para o senhor Pierre Paul Didier. Nascido em Paris em 1800. Filho de um empregado da Triparia Parisiense. Balconista de livraria a partir de 1818, e em seguida, vendedor ambulante de livraria. Livreiro patenteado em Paris em 2 de agosto de 1825 em sucessão a Marie Nicolas Louis Vacheron. Fundou, em 1828, a "Livraria Acadêmica" para a publicação de cursos de taquigrafia de grandes professores (Victor Cousin, François Guizot, etc.). Em 1856, ele associou seus funcionários D. Glorian e Charles Morel ao nome "Librairie académique Didier et compagnie (Didier et Cie – Libraires – Éditeurs). Faleceu, repentinamente, em dezembro de 1865.(1)

Endereços utilizados pela Didier et Cie, em Paris – de 1825 a 1862: Quai Saint – Michel, nº 25 (1825); Quai des Grands-Augustins, nº 47 (1827-1828); Quai des Grands-Augustins, nº 35 (1841-1891?).(4)



Conforme testemunha do historiador francês Ernest Maindron: “Nessa livraria encontrar-se-iam sempre os mesmos homens: Guizot, Mignet, Villemain, Victor Cousin, de Barante, Charles de Rémusat, e muitos outros ainda. Todos viviam na intimidade de Didier e de seus dois sócios, Désiré Glorian e Charles Morel.

” ... O Sr. Cousin era um dos visitantes mais assíduos ali. Uma vez por semana, ao menos, deixando a Sorbonne pela Academia, ele entrava na livraria Didier; procurava, ele mesmo, nas prateleiras, a obra cuja leitura havia- se prometido. No verão, colocava-se perto da porta de entrada aberta de par em par ou passeava falando; no inverno, mantinha-se perto do aquecedor.”(4)

Com Victor Guizot (François Pierre Guillaume Guizot ), político e historiador francês, em 1º de janeiro de 1839, assinou um contrato em dois artigos curtos, concedendo a Didier por seis anos o direito de publicar seu Cours d'Histoire moderne de 1828-1830, ou seja, seu Histoire de la civilization. O segundo acordo, entre Guizot e Didier, ocorreu em de 12 de maio de 1855 (vide foto do contrato) dizia respeito à l’Histoire de la civilisation en Europe et en France -História da civilização na Europa e na França, cujo gozo foi garantido a Didier nos mesmos termos do outro contrato, mas desta vez sem limitação de duração. O último contrato foi firmado em 17 de janeiro de 1861 (vide foto), Victor Guizot cedeu a Didier o direito de publicar uma coleção de seus discursos proferidos no Instituto, em sociedades literárias e religiosas, entre outros, adicionando três ensaios escritos em 1826 (Discours académiques). Veja a foto, em anexo, de uma carta de Didier à Guizot, datada de 12 de janeiro de 1861, sobre os Discursos Acadêmicos.(3)


Para Allan Kardec, o senhor Didier - membro fundador e assíduo frequentador da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - era mais que um livreiro, conforme extenso relato sobre sua morte publicado na Revista Espírita de janeiro de 1866 (fls.10 a 15 da Revue Spirite original em francês):

“O Espiritismo acaba de perder um de seus adeptos mais sinceros e dedicados, na pessoa do Sr. Didier, falecido sábado, 2 de dezembro de 1865. Ele era membro da Sociedade Espírita de Paris desde a sua fundação, em 1858 e, como se sabe, editor de nossas obras sobre a Doutrina. Na véspera, assistia à sessão da Sociedade e, no dia seguinte, às seis da tarde, morria subitamente numa estação de ônibus, a alguns passos de sua residência, onde, felizmente, se achava um de seus amigos, que fez transportá-lo para casa.”

O Petit Journal, anunciando a sua morte, acrescentou: “Nestes últimos tempos, o Sr. Didier havia editado as obras do Sr. Allan Kardec e tinha-se tornado, por polidez de editor, ou por convicção, um adepto do Espiritismo”.


O senhor Didier era pai do pintor Alfred Jean Baptiste Didier, que tudo indica, segundo o CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/.../srta.../502690823828038(5), seria o médium conhecido na codificação como Didier ou A. Didier. Este médium foi muito ativo na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – SPEE, sendo muito utilizado por Lamennais. Após sua saída da Sociedade, em 1865, se dedicou à pintura. Vide seu autorretrato (vide foto).


Na Revista Espírita de fevereiro de 1866 – fls. 53 da Revue Spirite original em francês - em sessão da Sociedade, de 19 de janeiro de 1866, o Sr. Morin, membro da Sociedade, médium sonâmbulo muito lúcido e que, em seu sono magnético, vê perfeitamente os Espíritos, relata que estava presente o Sr. Didier, que não faltava a nenhuma das sessões. E, o mesmo era visto, exatamente, como em vida, com a mesma fisionomia; com o seu corpo material e apenas não tossia mais. O Espírito Didier deu conta de suas impressões, de sua opinião sobre as coisas atuais, e encarregou o Sr. Morin de transmitir a todos as suas palavras.


Na Revista Espírita de maio de 1869 - fls.137 a 142 da Revue Spirite original em francês – no discurso de Flammarion, junto ao túmulo de Allan Kardec, ele menciona o fundador da Livraria Acadêmica, o honrado Didier, que, como editor, foi colaborador convicto de Allan Kardec, na publicação das obras fundamentais de uma doutrina que lhe era cara.

Como descrevemos acima, laços antigos vinculavam Kardec com os tradicionais distritos livreiros de Paris, e, particularmente, como vimos, com Fréd. Henry; Dentu, Éditeurs, na 13, Galerie d‟Orléans no Palais Royal; Librairie Ledoyen, 31 Galerie d’Orleans; Pierre Paul Didier, 35 quai des Augustins; Librairie Internationale, de A. Lacroix, Verboeckhoven et Cie., 15 Boulevard Montmartre, que edita em 1868 A Gênese: os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.


O CSI do Espiritismo, em recente descoberta - https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/669732293790556(6), concluiu que Allan Kardec havia pedido autorização para publicar suas próprias obras. No brevet governamental consta que o requerimento foi feito com o endereço da residência de Kardec, localizado na, 59, rue Saint-Anne. E, no referido brevet, já consta o local do endereço (39, avenue de Ségur) para onde o casal Kardec se mudaria, a partir de 1º de abril de 1869 (demonstrando que tudo havia sido feito pelo próprio Kardec), após sua saída da rue et passage Saint-Anne, fato que demonstra que Kardec já havia pedido a referida autorização, bem antes do que era sabido e descrito, por vários pesquisadores. A data de concessão do brevet foi em 2 de abril de 1869.



O endereço, onde Allan Kardec vivia com Amélie Boudet, era em um apartamento de fundos, com entrada pela 59, passage Saint-Anne. A porta que dá acesso às escadas fica no meio desta passagem (como se fosse um corredor coberto entre duas ruas). Atualmente, temos o Hotel Baudelaire, ao lado deste endereço. Na foto em anexo, na seta 1, podemos verificar a referida entrada para a escadaria que daria acesso ao apartamento do casal Kardec. (vide fotos)(7)


No mesmo endereço, também funcionava o Bureau/Escritório da Revista Espírita. O Bureau da Revue Spirite funcionou, inicialmente, na 8, rue des Martyrs (também, endereço de residência do casal Kardec), entre 1858-60 e, posteriormente, na 59, rue et passage Sainte-Anne, até março de 1869.


O Bureau da Revue Spirite, que consta, por exemplo, na obra “Caracteres da Revelação Espírita”), foi o precursor na atividade de editora da “Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques”, para a promoção dos livros sobre o Espiritismo. O endereço de funcionamento da Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques foi, inicialmente, na 7 rue de Lille. O Catalogue raisonné des ouvrages pouvant servir a fonder une bibliothèque spirite foi impresso por Imp. Rouge, Dunon et Fresnet, como já tratamos no post de 04/04/2020 - https://www.facebook.com/allankardec.online/posts/124995225781036 (9).


A pesquisa do CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/671958250234627 (11)- revela que ocorreu uma transição do uso no nome constante nas obras publicadas a partir da concessão do referido brevet. A pesquisa mostra que houve uma mudança na utilização do nome completo de “Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques” para um nome simplificado “Librairie Spirite”. O nome completo foi utilizado na 5ª edição do livro A Gênese de 1869, e nas primeiras edições do Catálogo Racional. A partir de julho de 1869, o nome utilizado passa a ser o simplificado: “LIBRAIRIE SPIRITE”.


Abordando, agora, o assunto dos manuscritos recém-descobertos, após toda esta contextualização.


Eles reforçam as pesquisas efetuadas até o presente momento, sobre Kardec já saber que sairia da rue Saint-Anne, com grande antecedência, bem como, que ele já estava querendo fundar a editora e, já, estava procurando um endereço para instalar, pelo menos desde novembro de1868, a “Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques”.


O primeiro manuscrito, já abordado em uma pesquisa do CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/289349718495484/posts/661188264644959/ (10) - obtido através do médium Desliens (em Ségur) – foi, provavelmente, redigido no local para onde Kardec se mudaria - 39, avenue de Ségur – este fato pode ser percebido no texto do manuscrito. O Espírito da senhora Foulon, desencarnada em 3 de fevereiro de 1865 (evocada, pela primeira vez na SPEE após três dias - 06/02/1865) - no manuscrito que é datado de 18 de junho de 1865 - é evocada através do médium senhor Tailleur, membro da SPEE, na presença do senhor Morin e de Kardec (vide foto) – fato constatado pela leitura do próprio manuscrito. O manuscrito nos revela que o contrato de locação do endereço da rue Saint Anne foi feito por três anos. E, nos revela que, Kardec sabia que deveria ser renovado em 1º de abril de 1866 e se estenderia até 31 de março de 1869, caso não o contrato não fosse denunciado. (vide fotos)


Vejamos a tradução de parte deste manuscrito:

“Pergunta: Brincadeiras à parte, uma coisa muito séria me preocupa. O contrato de aluguel da Rua Ste Anne termina no dia 1o de abril do próximo ano. É necessário que até 1o de outubro, no mais tardar, eu avise ao proprietário se a minha intenção é de continuar ou não. Se eu não fizer nada, o contrato continuará de pleno direito por mais três anos. Os fundos alocados para a diferença do aluguel estão esgotados, estou muito embaraçado.
Resposta: Eu lhe digo que o dia em que você virá morar aqui não está longe. Os membros não vão querer assumir mais encargos; as discussões que eles terão lhe farão tomar uma decisão que resultará na sua mudança para a Avenida de Ségur. Você dirá a eles (trecho incompreensível) (e) a si mesmo que, se for assim, aqueles que quiserem continuar seus estudos virão à minha casa, na Avenida de Ségur.”

O segundo manuscrito (vide fotos da transcrição e da tradução preliminar), datado de 21 de novembro de 1868, comprova que Kardec queria e iria fundar sua própria editora. E, de acordo com as orientações que pediu ao Espírito do senhor Didier, este sugeriu, entre outras coisas, que o local escolhido não fosse o da passagem Saint-Anne, sugerindo que, o endereço fosse em outro local. Assim, os clientes poderiam ir mais voluntariamente a um livreiro facilmente acessível, do que se precisassem subir vários pisos. O Espírito do senhor Didier sugere que pudesse estar, talvez, do outro lado do rio. Sugere que, como é o público quem comprará as obras e não as livrarias, o local deva ser de fácil acesso e conveniência, onde encontrará as várias obras que desejem adquirir. O Espírito do Sr. Didier dá conselhos para Allan Kardec separar o seu centro de operações do da livraria a ser fundada, evitando assim a mistura da parte doutrinária com a parte comercial, e, consequentemente, da mistura de Kardec como chefe da doutrina com a figura de livreiro.



Podemos concluir que, Kardec aceitou os conselhos do Espírito Sr. Didier. Lembrando que o endereço - 7, rue de Lillie – fica do outro lado da margem do rio a apenas 1,4 Km da rue Saint-Anne. (vide foto)


Estes dois manuscritos nos revelam que Kardec já estava preparado para sair do seu endereço na rue Saint-Anne com toda a antecedência, pelas consultas e conselhos, aqui demonstrados, que ele fazia aos seus conselheiros espirituais. Além disso, o segundo manuscrito nos revela que Kardec planejava a fundação de sua livraria, desde pelo menos, novembro de 1868. Demonstrando, com isso, que ele já estaria procurando uma nova sede para esta Editora/Livraria.


As pesquisas continuam na tentativa da localização do contrato de locação do endereço de funcionamento da “Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques” na 7, rue de Lillie, que pelos forte indícios, foi feito pelo próprio Allan Kardec, em vida.


Os manuscritos citados e as referidas Revue Spirite fazem parte do acervo do museu AllanKardec.online.


Referências: 1. https://data.bnf.fr/fr/15100010/pierre-paul_didier/ 2. CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/593783721385414 3. https://www.guizot.com/.../guizot-et.../de-didier-a-masson/ 4. http://www.souleitorespirita.com.br/.../editor-e.../ 5. CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/notes/imagens-e-registros-hist%C3%B3ricos-do-espiritismo/srta-ermance-sr-roze-sra-cazemajour-e-sr-a-didier/502690823828038 6. CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/669732293790556 7. https://gdamas.com/allan-kardec-em-paris-rue-sainte-anne.../ 8. FLORENTINO BARRERA - AUTO-DE-FÉ DE BARCELONA - http://bvespirita.com/Auto-de-Fe%20de%20Barcelona%20... 9. https://www.facebook.com/allankardec.online/posts/124995225781036 10. CSI do Espiritismo - https://www.facebook.com/289349718495484/posts/661188264644959/ 11. https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/671958250234627


13 visualizações0 comentário