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Manuscrito da Escritura de posse por Amélie Boudet (Sra Kardec) dos quadros de Monvoisin

Na Revista Espírita de dezembro de 1868, no artigo “Constituição Transitória do Espiritismo”, no item V – Comissão Central – Kardec detalha que às atribuições gerais da comissão será anexado, entre outros, como dependências locais, um MUSEU, onde se achem colecionadas as primeiras obras de arte espírita, os trabalhos mediúnicos mais notáveis, os retratos dos adeptos a quem a causa muito deva pelo devotamento que tenham demonstrado, os dos homens a quem o Espiritismo renda homenagens, embora estranhos à Doutrina, como benfeitores da Humanidade, grandes gênios missionários do progresso, etc.


Kardec informa que o futuro museu já possui oito quadros de grande dimensão, que só esperam um local conveniente; verdadeiras obras-primas de arte, especialmente executadas em vista do Espiritismo, por um artista de renome, que generosamente os doou à Doutrina. É a inauguração da arte espírita, por um homem que alia à fé sincera o talento dos grandes mestres. Em tempo hábil faremos a sua descrição detalhada.


Na Revista Espírita de junho de 1869, extraída da reunião da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (Extrato da ata da sessão de sete de maio de 1869), realizada após o desencarne de Kardec, no artigo denominado “Museu do Espiritismo”, é informado que os oito quadros compreendem: O Retrato alegórico do Sr. Allan Kardec; o Retrato do autor; Três cenas espíritas da vida de Joana d’Arc, assim designadas: Joana na fonte, Joana ferida e Joana sobre a sua fogueira; o Auto-de-fé de João Huss; um quadro simbólico das Três Revelações e a Aparição de Jesus entre os apóstolos, após sua morte corporal.


No texto, é informado que seis dos quadros acima designados, que foram postos nas mãos de Allan Kardec, atualmente estão de posse de Amélie Boudet, e que ela os conservará em depósito até que um local apropriado, comprado com os fundos provenientes da Caixa Geral e, consequentemente, mantido sob a direção da Comissão Central, encarregada dos interesses gerais da Doutrina, permita dispô-los de maneira conveniente.


O artigo informa que, todo espírita poderá, se tal for o seu desejo, examiná-los e apreciá-los na residência particular da Sra. Allan Kardec, às quartas-feiras, das duas às quatro horas. E que, dois outros quadros ainda estão em mãos do autor, que certamente todos já conhecem. É, com efeito, o Sr. Monvoisin.


A Sociedade Anônima sem fins lucrativos e de Capital Variável da Caixa Geral e Central do Espiritismo, cujo ato, de três de julho de 1869, achava-se anexado à declaração feita em 22 do mesmo mês, perante um tabelião de Paris, na qual consta que o capital social de fundação estava inteiramente subscrito e liberado, tinha por objetivo tornar conhecido o Espiritismo por todos os meios autorizados pelas leis, além de, dar continuação à Revista Espírita, fundada pelo Sr. Allan Kardec, à publicação das obras deste último, aí inclusas as suas obras póstumas e todas as obras que tratam do Espiritismo. E, em 29/07/1869, com a realização da primeira assembleia geral, foi fundada formalmente a Sociedade Anônima.


Os fundadores da Sociedade Anônima, que funcionava de forma paralela à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, foram Amélie Boudet, Armand Desliens, Jean Marie Tailler, o pintor Raimond Auguste Monvoisin, Gustave Achile Guilbert, Edouard Mathieu Bittard e Hubert Joly.


A “Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec” foi a nova denominação para a Sociedade Anônima, conforme determinado na assembleia geral de 18 de outubro de 1873.


Conforme consta do Estatuto da Société Scientifique du Spiritisme, Anonyme et à Capital Variable - Sociedade Científica do Espiritismo, Anônima e de Capital Variável - esta, através da Assembleia Geral Extraordinária de 1º de agosto de 1883, passou a ter esta denominação.


Os quadros do pintor Monvoisin fizeram parte do seu aporte inicial para a constituição da Sociedade Anônima, em 1869, e constaram no artigo 5º do Estatuto da sociedade (vide foto).


Este documento inédito é a “Escritura” que foi firmada em Cartório pela Sra. Amélie Boudet (viúva de Allan Kardec), em 18 de outubro de 1873, pelo qual fica demonstrado que cinco dos referidos quadros de Monvoisin ficaram sob a posse da madame Kardec. No documento, Amélie Boudet declara que a propriedade dessas pinturas pertence à referida Sociedade e que os referidos quadros devem ser entregues à sociedade, na primeira solicitação do seu diretor administrativo. (vide fotos)



Os referidos documentos, o manuscrito da Escritura e o Estatuto, pertencem ao museu AllanKardec.online.


Referências: 1. PRIVATO Simoni Goidanich. O Legado de Allan Kardec 2. Estatuto da Sociedade Cientifica do Espiritsmo 3. Revistas Espíritas de 1868 e 1869 4. CSI Imagens e registros históricos do Espiritismo 5. CALSONE Adriano. Madame Kardec, SP: Viva Luz Editora, 2017

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